Por muito tempo, o tratamento do Prolapso de Órgãos Pélvicos (POP) — condição popularmente conhecida como bexiga ou útero "caído" — foi sinônimo exclusivo de centro cirúrgico. No entanto, a uroginecologia moderna passou por uma grande revolução e, hoje, as principais diretrizes internacionais estabelecem que o tratamento conservador deve ser a primeira linha de cuidado.
Nesse cenário, o pessário vaginal desponta como a ferramenta mais eficaz e segura para a sustentação dos órgãos pélvicos. Mas afinal, será que essa órtese serve para qualquer mulher? Quem é a candidata ideal para esse tratamento? Vamos desmistificar o uso do pessário e explicar detalhadamente suas indicações.
O maior mito que cerca os pessários vaginais é a crença de que eles são dispositivos de "último recurso", indicados exclusivamente para mulheres muito idosas ou com a saúde tão frágil que não suportariam uma anestesia.
Embora o pessário seja, de fato, a solução perfeita para pacientes com alto risco cirúrgico, suas indicações vão muito além. O perfil das usuárias mudou drasticamente nos últimos anos.
O uso da órtese vaginal é altamente recomendado nos seguintes cenários:
Mulheres que desejam evitar a cirurgia: Muitas pacientes, independentemente da idade, simplesmente preferem não se submeter aos riscos de um procedimento cirúrgico (como anestesia, rejeição de telas sintéticas ou repouso prolongado). Para elas, o pessário oferece alívio imediato dos sintomas de peso e protuberância, de forma 100% reversível.
Mulheres jovens com desejo reprodutivo: O tratamento cirúrgico do prolapso em mulheres que ainda desejam engravidar é complexo, pois uma futura gestação pode desfazer a correção cirúrgica. O pessário atua como uma "ponte" segura, sustentando os órgãos até que a mulher decida engravidar, sem comprometer a anatomia uterina.
Aguardando intervenção cirúrgica: Para mulheres que já têm indicação de cirurgia, mas aguardam o momento ideal ou estão em filas de espera, o pessário devolve a qualidade de vida durante esse período, impedindo o sofrimento diário com os sintomas do prolapso.
Teste Terapêutico: O médico pode indicar o uso do pessário por um curto período para simular os resultados de uma cirurgia, ajudando a avaliar se a correção do suporte pélvico aliviará as queixas da paciente.
Embora seja um dispositivo extremamente seguro quando bem indicado, a avaliação com um profissional especializado é obrigatória para descartar contraindicações, que incluem:
Infecções Pélvicas Ativas: Qualquer vaginite ou infecção ativa deve ser tratada e curada antes da inserção da órtese.
Falta de Adesão ao Acompanhamento: O uso do pessário exige retornos ao consultório ou capacidade de autocuidado (retirar e higienizar em casa). Pacientes com déficit cognitivo severo que não possuem um cuidador ativo não são boas candidatas.
Anatomia Desfavorável: Em casos onde o hiato genital é excessivamente largo e a paciente não possui musculatura de suporte, o pessário pode não se sustentar.
Você sabe selecionar a paciente ideal e realizar a medição correta no seu consultório?
O sucesso da terapia com pessários não está apenas na qualidade do silicone, mas na precisão da indicação e do "fitting" (escolha do modelo e tamanho exatos). Tentar adaptar um pessário em uma paciente com anatomia desfavorável gera frustração, dor e abandono do tratamento.
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