Receber o diagnóstico de Prolapso de Órgãos Pélvicos (condição popularmente conhecida como "bexiga caída", "útero baixo" ou "bola na vagina") já é, por si só, um momento de muita angústia para a mulher. A sensação de peso no baixo ventre e o desconforto diário afetam diretamente a autoestima, o convívio social e a vontade de realizar atividades físicas.
Quando o médico uroginecologista ou o fisioterapeuta pélvico apresenta o Pessário Vaginal como a primeira linha de tratamento conservador, é absolutamente normal que uma enxurrada de dúvidas, medos e preconceitos tome conta da mente da paciente. A ideia de introduzir e manter um dispositivo de silicone dentro do corpo todos os dias gera muita insegurança.
Será que machuca para andar? Será que meu parceiro vai perceber? E se ele se perder lá dentro? O pessário causa mau cheiro?
Hoje, as principais diretrizes médicas mundiais colocam o pessário como o tratamento não cirúrgico padrão-ouro para o prolapso. Para que você tenha total segurança sobre essa terapia revolucionária e reversível, preparamos este guia definitivo desvendando os maiores mitos sobre o uso dessa órtese.
A VERDADE: O pessário correto é absolutamente imperceptível. A vagina é um órgão incrivelmente elástico e a sua parte superior possui pouquíssimas terminações nervosas para dor. Se a paciente está sentindo cólica, dor, pressão excessiva no reto, ou tem a sensação de que algo está "espetando" ao sentar, tossir ou caminhar, isso significa apenas uma coisa: o tamanho ou o modelo do pessário está errado.
O processo de escolha do dispositivo, chamado de fitting (teste de adaptação), é uma etapa médica minuciosa. O profissional tira as medidas exatas do canal vaginal da paciente. Quando o modelo ideal é inserido, a mulher simplesmente esquece que está usando o dispositivo, da mesma forma que não sentimos uma lente de contato bem adaptada nos olhos. O único sentimento deve ser o alívio imediato do peso pélvico.
A VERDADE: Você pode (e deve) manter sua vida íntima ativa. Esse é, sem dúvida, o maior medo das pacientes mais jovens e ativas. A verdade é que a manutenção da vida sexual depende exclusivamente do modelo do pessário escolhido para o seu grau de prolapso.
O modelo mais utilizado no mundo, o Pessário de Anel (que se assemelha a um diafragma contraceptivo), permite perfeitamente a relação sexual com penetração. Ele fica alojado no fundo da vagina, ao redor do colo do útero, e na imensa maioria das vezes, nem a mulher nem o parceiro sentem a presença do anel.
Já em casos de prolapsos mais severos, onde são necessários modelos de preenchimento (como o pessário de Cubo ou o de Gellhorn), a dinâmica muda um pouco, mas não impede o sexo. Nesses casos, a própria paciente (ou o profissional, dependendo do combinado) retira o dispositivo antes da relação íntima e o recoloca depois, de forma indolor e simples, garantindo a liberdade sexual.
A VERDADE: É anatomicamente impossível que o pessário se perca. Muitas mulheres imaginam a vagina como um tubo sem fim, temendo que a órtese "suba" para o abdômen. Isso é pura falta de conhecimento anatômico. O canal vaginal é fechado no fundo pelo colo do útero. Mesmo em mulheres que já retiraram o útero (histerectomia), o fundo da vagina é costurado e fechado (formando a chamada cúpula vaginal). O pessário ficará perfeitamente alojado e contido nesse espaço. Ele não tem para onde fugir.
A VERDADE: O tratamento é extremamente seguro, mas exige acompanhamento e preparo do tecido. É natural que o corpo produza um pouco mais de secreção fisiológica (um corrimento claro ou esbranquiçado) por reconhecer a presença do silicone. Contudo, infecções com mau cheiro forte, sangramentos ou feridas (erosões) não são normais.
Quando isso acontece, geralmente é por uma falha no protocolo: a falta de preparo da mucosa vaginal. Principalmente após a menopausa, a vagina fica fina e ressecada. O atrito do pessário nessa pele frágil pode machucar. Por isso, o uso associado de estrogênio local (em creme ou óvulo) é o grande segredo para manter os tecidos grossos, lubrificados e saudáveis, evitando qualquer complicação. Além disso, as consultas de retorno para a higienização do dispositivo garantem que tudo permaneça impecável.
A VERDADE: O pessário é a escolha inteligente para mulheres de todas as idades que desejam evitar o bisturi. Embora seja, de fato, a grande salvação para pacientes com doenças cardíacas ou idade avançada que têm alto risco cirúrgico, o perfil das usuárias mudou drasticamente. Mulheres jovens, praticantes de esportes de alto impacto (como crossfit e corrida), ou aquelas que ainda desejam engravidar são excelentes candidatas.
A cirurgia de prolapso não é isenta de riscos, exige repouso prolongado, restrição de peso e tem uma taxa de falha (o prolapso voltar) que pode chegar a 30% ao longo dos anos. O pessário devolve a anatomia e a qualidade de vida em questão de minutos dentro do consultório, sendo uma solução imediata e 100% reversível.
Você percebeu o nível de detalhe clínico que envolve a terapia com pessários?
O sucesso do tratamento conservador do Prolapso de Órgãos Pélvicos depende diretamente da segurança técnica do profissional. Se você não souber explicar essas nuances, se adaptar um pessário do tamanho errado causando dor, ou se negligenciar a prescrição do estrogênio local para atrofia, a sua paciente vai abandonar o tratamento frustrada. E pior: ela será encaminhada desnecessariamente para a cirurgia.
A demanda por tratamentos não invasivos explodiu. Transforme a sua prática clínica, entregue resultados imediatos no seu consultório e torne-se uma referência em Uroginecologia Conservadora.
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