Quando o diagnóstico de prolapso uterino (conhecido popularmente como "útero caído") é feito, muitas dúvidas e medos surgem. Afinal, a sensação de peso e a exteriorização de uma "bola" na vagina causam grande desconforto, prejudicando a rotina e a qualidade de vida da mulher.
Diante desse quadro, quando o tratamento conservador não é suficiente ou a paciente opta por uma solução cirúrgica definitiva, a cirurgia mais indicada para o prolapso uterino avançado é a Histerectomia Vaginal.
Neste artigo, vamos explicar como funciona esse procedimento, seu tempo de recuperação e quando ele é realmente necessário.
A histerectomia é o termo médico para a cirurgia de retirada do útero. A palavra "vaginal" indica a via de acesso: ou seja, toda a cirurgia é realizada por dentro do canal vaginal.
A grande vantagem dessa técnica é que não há cortes no abdômen (barriga). Por ser uma cirurgia minimamente invasiva, ela não deixa cicatrizes visíveis externas, apresenta menor risco de infecção em comparação com a cirurgia aberta e proporciona uma recuperação pós-operatória muito mais rápida e menos dolorosa.
O procedimento dura, em média, de 1 a 2 horas e segue passos rigorosos de segurança:
Anestesia: Geralmente, utiliza-se a anestesia raquidiana (semelhante à da cesárea) associada a uma sedação para que a paciente durma e não sinta nenhum desconforto, ou anestesia geral, dependendo da avaliação médica.
Incisão: O cirurgião faz um pequeno corte interno, ao redor do colo do útero, no fundo da vagina.
Liberação e Retirada: Os ligamentos e vasos sanguíneos que prendem o útero são cuidadosamente separados e amarrados. Em seguida, o útero (que já estava cedendo) é completamente retirado através do canal vaginal.
Reconstrução (Passo Fundamental): Não basta apenas tirar o útero. O cirurgião precisa fixar a "cúpula" (o fundo da vagina que ficou aberto) aos ligamentos pélvicos fortes. Isso evita que, no futuro, a própria vagina sofra um novo prolapso (prolapso de cúpula vaginal).
Fechamento: Os cortes internos são fechados com fios cirúrgicos absorvíveis, que caem sozinhos após algumas semanas, não sendo necessário "tirar os pontos" no consultório.
Por ser via vaginal, a alta hospitalar costuma ocorrer em apenas 1 ou 2 dias. No entanto, a recuperação interna exige cuidados rigorosos para que os tecidos cicatrizem corretamente:
Repouso: É fundamental evitar esforços físicos, não pegar peso e não realizar atividades de impacto por cerca de 40 a 60 dias.
Abstinência Sexual: As relações sexuais com penetração devem ser suspensas, geralmente, por 6 a 8 semanas, até a liberação médica.
Sangramento: É normal apresentar um pequeno sangramento ou corrimento escuro nos primeiros dias após a cirurgia.
Não. A uroginecologia moderna preconiza que todo tratamento comece pelas opções menos invasivas.
Para mulheres com risco cirúrgico elevado, que desejam preservar o útero para gestações futuras, ou que simplesmente preferem não passar por uma cirurgia, o uso de Pessários Vaginais é o tratamento conservador padrão-ouro. O pessário é uma órtese de silicone inserida na vagina no próprio consultório, que sustenta os órgãos imediatamente, aliviando os sintomas sem necessidade de cortes, anestesia ou repouso.
A taxa de recidiva do prolapso após cirurgias pode chegar a 30% ao longo dos anos, e muitas pacientes buscam ativamente evitar o centro cirúrgico. Você está preparado para oferecer o tratamento conservador de primeira linha no seu consultório?
O manejo do prolapso de órgãos pélvicos com Pessários Vaginais é uma habilidade indispensável para quem atua na saúde íntima feminina. Ele permite devolver a qualidade de vida da paciente em minutos, com um procedimento 100% ambulatorial e reversível.
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