O uso do pessário vaginal transformou a vida de milhares de mulheres que sofrem com o Prolapso de Órgãos Pélvicos (a temida "bexiga" ou "útero caído"). Ao optar por esse tratamento conservador, a paciente sai do consultório com a anatomia restaurada, livre da sensação de peso e, o melhor, sem precisar de cirurgia.
Mas e depois que a paciente vai para casa? Como fica a rotina? É difícil cuidar do pessário?
O medo de infecções, de não saber limpar a órtese ou de machucar a região íntima é muito comum. Para garantir o sucesso absoluto do tratamento e a sua paz de espírito, preparamos este guia com as regras de ouro sobre a manutenção e a higiene do seu pessário vaginal.
Existem basicamente duas formas de conduzir a manutenção do pessário, e isso será decidido junto com o seu médico ou fisioterapeuta pélvico, dependendo do modelo escolhido e da sua facilidade:
Autocuidado (A paciente retira em casa): Modelos como o Pessário de Anel são muito fáceis de manusear. Muitas mulheres, especialmente as mais jovens e ativas, aprendem a retirar a órtese durante o banho, lavam e recolocam sozinhas. Alguns modelos, como o Pessário de Cubo, exigem a retirada diária (geralmente à noite) pela própria paciente para deixar a mucosa vaginal "respirar".
Manejo no Consultório: Para mulheres com dificuldade motora (como artrose nas mãos), idosas, ou para modelos mais complexos de retirar (como o Pessário de Gellhorn), o dispositivo permanece na vagina continuamente. A paciente retorna ao consultório a cada 2 ou 3 meses (ou conforme orientação do especialista) apenas para que o profissional retire, higienize, avalie a saúde da vagina e recoloque a órtese no mesmo momento.
O pessário é feito de silicone de grau médico, um material antialérgico, durável e que não absorve odores facilmente. A higiene é extremamente simples:
Apenas água e sabão: Lave o pessário com água morna (nunca fervendo) e sabão neutro ou sabonete íntimo.
O que NUNCA fazer: Jamais ferva o pessário na panela (isso derrete e deforma o silicone), não coloque no micro-ondas, na máquina de lavar louças e nunca use álcool, água sanitária ou desinfetantes agressivos. Esses produtos destroem a superfície lisa do silicone, criando porosidades que facilitam o acúmulo de bactérias.
Muitas mulheres acreditam que basta colocar o pessário e esquecer da vida. Esse é um erro grave. Especialmente após a menopausa, a pele de dentro da vagina fica muito fina, seca e frágil (condição chamada de atrofia vaginal).
Se você colocar uma órtese de silicone encostando nessa pele fina todos os dias, o atrito pode causar pequenas feridas (erosões) e sangramentos. Por isso, a chave para um tratamento perfeito e sem dor é o uso regular de estrogênio tópico (em creme ou óvulos vaginais), prescrito pelo seu médico. Ele devolve a espessura, a hidratação e a elasticidade da mucosa, criando uma verdadeira "almofada" protetora para o pessário se apoiar.
É normal notar um leve aumento na umidade vaginal ou um corrimento clarinho e sem cheiro. No entanto, você deve antecipar o retorno ao consultório se apresentar:
Corrimento amarelado, esverdeado ou com mau cheiro forte.
Sangramento vivo ou rosado na calcinha.
Dor, cólica ou dificuldade para urinar ou evacuar (o que pode indicar que o pessário saiu do lugar ou o tamanho não está adequado).
Você sabe o que fazer quando a paciente chega ao seu consultório com uma erosão vaginal grave e sangramento causado por um pessário esquecido? Sabe de quanto em quanto tempo deve agendar os retornos de acordo com cada modelo de órtese?
A indicação e a inserção do pessário para o tratamento do Prolapso de Órgãos Pélvicos são apenas o primeiro passo. A verdadeira maestria na Uroginecologia Conservadora está no manejo a longo prazo e na prevenção de complicações. Se a paciente não for bem orientada sobre a higiene e a atrofia vaginal não for tratada rigorosamente, a falha terapêutica é certa.
Capacite-se para oferecer um acompanhamento de excelência do início ao fim. No Curso Completo de Pessários Vaginais, o Dr. Renato Hosoume (Mestre pela USP) dedica módulos inteiros ao Manejo de Complicações, Preparo do Tecido (Atrofia) e Rotina de Seguimento (Follow-up) no consultório.